segunda-feira, 15 de outubro de 2018


Sobre a linguagem culta, segue uma informação que pode remover possíveis ruídos comunicativos.  Zeugma é uma forma de elipse (uma omissão de um termo é facilmente recuperado sem prejuízo do sentido) com a diferença de que se trata da omissão de um termo que já foi referido na oração. Ex. EU SOU CRISTÃ EVANGÉLICA, MINHA AMIGA, CATÓLICA. O que foi omitido na sentença? O termo "é cristã". É comum na norma culta, sobretudo na modalidade oral da língua, o emprego dessa figura de sintaxe ou construção sintática que, no caso desse exemplo, chamamos ZEUGMA. Sem a omissão ficaria "EU SOU CRISTÃ EVANGÉLICA, MINHA AMIGA É CRISTÃ CATÓLICA". Percebem a repetição desnecessária do verbo ser mais o adjetivo cristã?

Agora, após recordarem esse conhecimento já amplamente estudado no Ensino Fundamental e Médio, convidamos os internautas a assistirem  ao vídeo e ouvirem a fala da vice presidente de Haddad declarando-se cristã enquanto justificava sua posição contra o ensino religioso nas escolas, e como foi distorcida sua declaração pelo não reconhecimento dessa construção sintática chamada zeugma. https://www.youtube.com/watch?v=Pwz_0OJE-ZI


DESCONHECIMENTO GRAMATICAL OU MÁ FÉ?

Um texto posto está sujeito à interpretação do receptor. Quando, porém, a intenção é desconstruir o discurso do outro, as pessoas, muitas vezes na má fé, valem-se do desconhecimento gramatical da população incauta para disseminar inverdades. Manuela foi vítima recentemente dessa “banalização do mal” com o vídeo em que se declarava cristã. Há quem esteja disseminando que ela se contradiz ao se declarar cristã e, em seguida, não cristã. Ao ouvir que Manuela era mentirosa, cuidei em fazer eu mesma a compreensão analítica de seu texto, para fazer a interpretação. Com base nos recursos estilísticos apresentados na gramática, temos as figuras de linguagem, designadas 1. Figuras de pensamento (ex: ironia, hipérbole); 2. Figuras de Palavra (ex: metonímia,metáfora) e 3. Figuras de sintaxe (ex: elipse,zeugma). Para entrar direto no texto da vice de Haddad, as pessoas não reconheceram o uso da zeugma:  “[...]ACABA QUE BRASILEIROS QUE NÃO SÃO CRISTÃOS COMO EU (SOU CRISTÃ ou QUE SOU CRISTÃ), SEJAM PENALIZADOs”.  Há duas possibilidades para quem disseminou a informação que Manuela afirmara não ser cristã: desconhecimento da gramática da língua, cuja normalidade expressiva requer o uso de figuras de linguagem, ou má fé, aproveitando-se pela ambiguidade suscitada, preferindo antes recuperar o advérbio de negação, com o fim de descredenciar sua fala.

segunda-feira, 13 de março de 2017

IDENTIDADE PROFISSIONAL DOCENTE

No entendimento de que a formação docente implica competências inerente ao processo de construção do conhecimento e estratégias de motivação ao aluno, há que se considerar a interação mediante o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). O docente que se pretende inovador, em tempos de tecnologia, não pode prescindir, por exemplo, do uso de redes sociais como uma das formas de motivar buscar o conhecimento mediante o uso adequado das redes.  Sou professora universitária e mantenho, no Facebook,  grupos de estudos aos quais incentivo aos meus alunos o acesso.
Outro aspecto a considerar na formação docente é a pesquisa como condição sine qua non  para o processo de aprendizagem. Logo, o docente não pode  deixar de incentivar o aluno à pesquisa em suas aulas. Afinal ensino e pesquisa estão intrinsecamente relacionados e exige uma postura docente de interação pedagógica com seus alunos, de maneira a se refletir sobre o aprender a aprender.
Se pesquisa exige reflexão sobre a prática, o planejamento dessa prática como ensina Zabalza (2004 apud CUNHA, 2009), aprimora a competência. É preciso estimular o trabalho em grupo no fortalecimento identitário do profissional.  O docente, portanto, deve se munir de saberes conteudísticos, mas também de saberes desenvolvidos na prática. Tais saberes pedagógicos são construídos como nos ensina Pimenta (1999 apud CUNHA, 2009).
Caminhamos no sentido da aprendizagem como um processo início, afinal, entendemos que a formação da identidade é construída socialmente. Se nos constituímos no outro, em termos de estarmos abertos ao novo. Não significa, no entanto, que não possamos agir com autonomia e criatividade. É bastante essa abertura para que possamos alçar voos cada vez maiores na construção de saberes.
Sou professora de Sociolinguística no 4º período de Letras da Faculdade Luso-Brasileira. Por considerar, na formação identidária dos docentes, a construção social, ou seja, a que constituímos na interação com esses alunos docentes ou que estão se planejando para tornarem-se docentes, sempre ao final da disciplina, a atividade final é a realização de uma pesquisa sociolinguística.
Para tanto, segue-se como se dá o planejamento.
.Objetivo: Realizar uma pesquisa sociolinguística
Recursos: Quadro branco datashow, slides, papel, caneta.
Método: Trabalho em grupos, monitorados pelo professor, constante orientador dos passos para a realização final da pesquisa.

1º Parte. Elaborar um projeto conceitual
Ø  O que é? Um esboço da futura pesquisa no qual serão respondidas quatro questões: O quê? Para quê? Porquê? Como?  Trata-se de deixar germinar a ideia,
Ø  Local: sala de azul para desenvolver o  projeto e realizar a pesquisa em busca de solução do problema.
Ø  Prática: construção coletiva (grupos)

2º Parte. Elaborar o projeto final
Ø  De posse das respostas objetivas do projeto conceitual, com um maior amadurecimento das ideias, os grupos vão ampliar as respostas e dar corpo ao projeto final
Ø  A primeira indagação (O quê?) descreve  o objeto do estudo, culminando com a pergunta de pesquisa. A segunda (Para quê?) responde o objeto geral e os objetos específicos a serem atingidos para atender ao geral. A terceira indagação (Por quê?), em que vc desenvolve com mais argumentos porque vale a pena um investimento da sua proposta. A quarta indagação (Como?), o aluno não apenas diz que vai realizar certo tipo de pesquisa, como detalha os passos que pretende seguir (que instrumentos de coleta utilizará e de que modo, delimitando inclusive o tempo.
Ø  \Local: sala de aula
Ø  Prática: distribuição de atividades

3ª Parte. Realização da Pesquisa.
Ø  Construir a introdução com as respostas das indagações do projeto A Fundamentação teórica, a partir do diálogo entre os autores de referencia
Ø  Local: Discussão em sala de aula e realização da coleta de dados extra sala. Durante o processo, os alunos deverão interagir com a professora no grupo criado no Whatzap.
Ø  Prática: pesquisas com anotações e entrevistas (estruturadas ou semiestruturadas, conforme acordo entre o grupo).
Ø   
4ª Parte. Apresentação em seminário, com livre utilização das TIC.

AVALIAÇÃO: A avaliação é realizada durante todo o processo que vai da elaboração do projeto conceitual até a apresentação da pesquisa. É considerada a participação individual e coletiva.                      





quinta-feira, 12 de janeiro de 2017


AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM

                                           

Em minha experiência como docente, não considero coerente esperar do aluno um padrão de respostas em um universo de ideias e diferentes maneiras de dizer o mundo. Respeitando a heterogeneidade de cada sujeito-aluno, podemos alcançar aquilo que esperamos avaliar. As “correções” são realizadas na própria sala de aula, ao longo da disciplina, em que levamos à autocorreção mediante a estratégia de socratização, em que fazemos perguntas que o leve à reflexão e com isso descobrir seu equívoco. As questões que elaboro numa prova são correlacionadas as demais atividades sociointerativas viabilizadas em sala de Aula (em nossas aulas de Sociolinguística do 4º período do curso de Letras na Falub). Elas  suscitam respostas personalizadas da participação do aluno nas referidas atividades. Nossa avaliação (atividade de corrigir) da prova portanto nos remete à participação do aluno em sala de aula. Pessoal e intransferível, as questões são reflexivas e motivam o aluno a respondê-las por si mesmo, segundo o seu entendimento no assunto. Sempre alerto a todos que meu foco não são seus desvios gramaticais, preocupação do professor de Língua Portuguesa, mas aferir seu entendimento sobre o conteúdo discutido em sala de aula e pesquisado por eles. Com isso,  afastamos a possibilidade de esse aluno ser um mero reprodutor de memorização ou do conteúdo apreendido pelo colega. Ler suas ideias disponibilizadas nas provas é um grande prazer para mim, por isso, não esperando decorrer o tempo, procuro avaliar o mais breve possível, recorrendo a todas as minhas anotações sobre cada alunx. A dificuldade é a correlação das respostas com tais anotações sobre cada um e sua vivência em sala de aula. Tal dificuldade, no entanto, constitui-se também um imenso prazer. A correção das atividades, portanto, é um processo e não um produto final. A percepção docente sobre o processo de aprendizagem libertador configura um dos sentidos principais na elaboração e avaliação de uma atividade. A motivação dos alunos não deve ser estimulada para um produto final  de valor quantitativo (notas), mas deve emergir do próprio processo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Estudo de Caso

Análise do comportamento docente ante a dificuldade dos alunos em trabalhar com escala (conforme o estudo de caso apresentado) quando diz que não vai pegar na mão deles, uma vez que já são universitários. A análise considera a seguinte citação, como base a aspecto relacional do ensino-aprendizagem: "Há ensino somente quando, em decorrência dele, houver aprendizagem" (LOREZATO, 2008, p.1).

O comportamento desse docente não é adequado, pois, além de ser indelicado,  ele impõe uma distância entre sua imponente figura e os alunos, condicionando os alunos a não recorrer a maiores explicações para remoção de dúvidas. Desse modo, os alunos não constroem conhecimento, ficando limitados a reproduzirem de outros para o cumprimento da tarefa, não havendo portanto construção do conhecimento pelos alunos, consequentemente não se verifica o ensino como o desejável.


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Lendo sobre Metacognição, minhas primeiras impressões foram as melhores. Cheguei logo a pensar que há pessoas que simplesmente não sabem que não sabem. Sou mais as minhas experiências metacognifivas que me impulsionam a construir sentido, buscando auxílio dos instrumentos normativos, por exemplo, do que andar por aí posando de "sabichão" a deslizar grosseiramente em saberes desconhecidos. Entendi que Sócrates deve ter tido uma experiência altamente metacognitiva quando proferiu a célebre frase: "só sei que nada sei". É o meu sentimento diante desse mundo de informações novas a que estou tendo acesso nesse curso.

sábado, 10 de setembro de 2016

ATIVIDADE ESTILOS DE APRENDIZAGEM - Solange Carlos de Carvalho

A compreensão sobre estilos de aprendizagem, levou-me a refletir  sobre minha experiência em sala de aula, no que respeita a melhor forma de levar os alunos à construção de conhecimento. Sempre priorizei uma aula com menos exposição teórica, levando os alunos a participarem ativamente do processo de aprendizagem, com teatros, seminários e promoção de debates entre eles.
Hoje sou professora universitária, e ainda continuo na busca de promover uma aula dinâmica, em termos de contemplar os diversos tipos de inteligência dos alunos (visual, auditiva, prática).  Mesmo sem conhecer a perspectiva de estilo de aprendizagem de Kolb,  já tinha percebido essas mesmas inquietações dos colegas professores, que lançavam sobre o aluno a culpa pelo resultado negativo da disciplina, bem como ouvia de muitos alunos reclamações sobre professores que só teorizavam,  com aulas expositivas em comunicação unilateral. Sempre refleti sobre isso.
Após o conhecimento adquirido sobre os estilos de aprendizagem tanto do texto de Travelin quanto das informações do vídeo, em que se verificou, mediante pesquisa, uma  docência que pouco se responsabiliza com a situação crítica de aprendizado dos alunos, e alunos que responsabilizam a didática pouco esclareccedora e estimuladora da parte do professor, pude ampliar meu espopo de análise sobre a produtividade interativa entre professor e aluno.
Ao fazer o teste de estilo individual de aprendizagem, obtive como resultado "experimentação ativa" (21), seguido de "experimentação concreta" (18) que me insere no quadrante do "estilo acomodador". Fiquei impressionada, pelo resultado tão próximo a minha prática pedagógica, uma vez que esse estilo  coaduna-se com minha postura de abertura para o aprender-fazendo, e minha predisposição ao risco, em busca da verdade.  Compreendendo, contudo, que o teste é apenas um parâmetro para a reflexão, deixando-me animada quanto ao fato de que devo sempre instigar  os alunos a descobertas mediante pesquisa.
Diante dessa experiência, posso entender que o professor deve procurar, em sua prática de ensino, contemplar todos os quadrantes do ciclo de aprendizagem de Kolb, em uma aula dinâmica e interativa, para assim trabalhar com a motivação dos alunos, instigando-os à pesquisa, condição sine qua non para a construção do conhecimento e desenvolvimento de abstrações.
Para compartilhar minha experiência, e servir de possível sugestão para os colegas, apresento algumas ferramentas tecnológicas que utilizo para mobilizar minhas aulas. Criei um grupo de Estudos da Linguagem no Facebook e divulgo com os alunos todos os semestres, para estimular, fora do espaço da sala de aula, reflexão sobre os temas postados e suscitar discussão também na sala presencial. Da mesma forma, divulgo meu blog LÍNGUA VIVA, em que posto minhas produções científicas, com o intuito de interagir sobre as questões da língua.  No entendimento de que, em tempos de tecnologia, a educação não pode prescindir das redes sociais, também crio grupo no Whatsapp com o nome da disciplina em que me comprometo com os alunos a dirimir suas dúvidas sobre as aulas, além de estimular que postem pesquisas afins.